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Akira: estética, história e telecinese

Filme bom, assunto interessantíssimo, valeu um post aqui.

3 min de leitura
akira
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Vi o filme Akira nesse final de semana e gostei bastante da estética. Não sou um consumidor de animes e, sinceramente, acho deprimente pensar em mim, um marmanjo barbado, vendo desenho.

Mas, apesar do pré-conceito, o filme entrega uma impressão estética muito legal, tipicamente do que se imaginava que seria o Japão. A virtude da obra não é apenas estética, mas narrativa.

A história é interessante. Um jovem (Tetsuo), após um acidente, é ganha poderes psíquicos e, no final, incontroláveis. Tudo isso é um projeto militar em que a cobaia ganha habilidades extrassensoriais. O indivíduo mais poderoso, por assim dizer, se chama Akira, uma criança com poderes absolutos que já provocou uma destruição na cidade da trama (Neo-Tóquio).

Tetsuo participa de uma gangue de motociclistas cujo líder é Kaneda, um "herói" da história. Mas, ao que parece, essa não é uma narrativa que deixa em evidência o qualificativo herói/vilão.

Aliás, esse foi um filme em que demorei para conseguir pensar em um "ponto da história", uma unidade coesa de sentido em torno da qual a história gravita.

Muitos diriam que é um filme meio pointless, mas é só porque ele não explica tudo. Continuando.

O poder de Tetsuo se transforma na ameaça própria da destruição de tudo (tal como Akira antes), à medida que ele vai cedendo à uma espécie de psicose. Mais para o final, Tetsuo quase destrói tudo mesmo, mas sua energia descontrolada é contida em uma orbe que impede uma aniquilação total de Neo-Tóquio.

Todas essas crianças com poderes psíquicos se conhecem e atuam na história como entidades que interferem nos acontecimentos e elas agem para evitar que Tetsuo se torne o que, no fim, se tornou.

akira
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Mas teve uma parte da narrativa que eu achei particularmente interessante: Akira é uma espécie de energia pura cujo corpo não conseguiu subsistir materialmente.

Esse filme trabalha com uma premissa quase metafísica de que existe um ponto entre consciência e mundo material que permite a manipulação disso que chamamos de matéria por meio do pensamento. Aí a diferença entre o ficcional e o real se esvai, porque é sabido que agências de inteligência mundo afora já trabalharam e pesquisaram a telecinese ou psicocinese para avaliar sua aplicabilidade no campo militar.

Se isso foi de fato comprovado, parece que não. Mas isso não significa dizer que foi totalmente descartado, o que se tem é que não há como comprovar que a telecinese é um fenômeno verificável e parametrizável segundo os critérios da ciência moderna.

akira
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Existem, contudo, documentos bem interessantes sobre o tema, como o artigo de nome "Física, Entropia e Psicocinese" (no original, em inglês, physics, entropy and psychokinesis) em que Harold Puthoff and Russell Targ investigam a capacidade de produzir mudanças no ambiente físico por meio de uma forma de energia psíquica. Lembrando que esse documento está nos arquivos da CIA que foram postos em público em virtude do FOIA (Freedom of Information Act).

tetsuo
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Akira, então, tem em seu conteúdo um assunto bastante interessante e que, se fosse de fato irrelevante, jamais seria pesquisado. Não sabemos e talvez jamais saberemos se algo como a telecinese é comprovadamente verdadeiro, mas o interessante da ficção é não precisar se preocupar com isso e nos permitir imaginar.

Filme bom, assunto interessantíssimo, valeu um post aqui.

Tetsuo
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